6.2.12

Polícia, para que precisa?

Acontece nos 4 Domingos que antecedem o Carnaval, tem início a partir das 16h quando o trio elétrico liderado pela animada banda Garibaldis e Sacis e colaboradores partem do alto do Largo da Ordem, descendo vagarosamente até chegar no antigo bebedouro de cavalos.

Assim vem sendo feito o Pré-Carnaval em Curitiba, que já marca presença na capital paranaense a 13 anos e reúne gente de todos os tipos: velhos, jovens, crianças, travestidos, mulheres, turistas, mendigos, galera do funk e do surf, fantasiados, gente com pouca roupa, meninos... Todo mundo tava lá com o mesmo intuito, de se divertir e pular carnaval ao som das boas e velhas marchinhas. E claro, tomar aquela cervejinha estupidamente gelada, vendida em diversos pontos nos isopores ambulantes ao módico preço de 3 reais a lata, ou então a bebida já quase oficial do evento, o Fontana, espécie de licor de maça e morango, vendido em garrafas de plástico esverdeado. Os únicos que não estavam na festa eram os policiais, deixando o evento sob controle dos próprios participantes que, diga-se de passagem, não decepcionaram: cerca de 7 mil pessoas nos domingos mais quentes.

O evento todo é organizado pela comunidade, com pouquíssima ou quase nenhuma ajuda da prefeitura, que dá a permissão para fechar algumas ruas durante o evento para a passagem de veículos. Algumas entidades privadas dão seu apoio monetário e logístico para que toda a folia aconteça!

No dia 05 de Fevereiro lá estávamos, dançando, Fontana na mão, conversando com os que trombávamos pelo caminho, muito calor e muita alegria. Não vi nenhuma briga durante todo o tempo, inclusive em determinado momento Garibaldis e Sacis parou a música porque viram do alto do trio elétrico uma confusão que logo foi resolvida, e a festa foi rapidamente retomada!

Por volta das 21h o trio se despede e se recolhe. Muita gente se foi para suas casas mas muita gente continua dançando, bebendo, cantando pelas ruas de paralelepípedo e dentro dos bares. Algum tempo depois, houve reclamação do barulho e a polícia decidiu aparecer e nos brindar com o ar de sua graça. Neste momento estávamos na fila do banheiro dentro do Bar Sal Grosso, e a sucessão de eventos que aconteceu durante a meia hora seguinte me fez acreditar que estávamos dentro do filme Tropa de Elite.

Aparentemente jogaram uma garrafa de vidro na viatura da polícia militar que estava chegando para controlar o nível de ruído, e isso fez com que eles tomassem medidas drásticas. Por volta de 15 PMs com espingardas de bala de borracha na mão, atirando bombas de efeito moral, e 5 viaturas começam a fazer todo mundo correr para se defender. Os bares fecharam suas portas com todo mundo que estava dentro para se proteger. As pessoas corriam, gritavam, xingavam os policiais, e alguns usaram parte das barracas da feirinha hippie que estavam empilhadas por ali como escudo, e jogaram pedras e garrafas nos policiais que se defendiam dando tiros com bala de borracha e porradas com o cacetete.

O barulho e os clarões das bombas estourando em algum lugar muito próximo dali, os estrondos dos disparos, garrafas quebrando, gritos, foi um espetáculo surreal diante dos meus olhos em um domingo atipicamente quente na nossa capital ecológica.

Quando a coisa parecia estar mais calma, o Bar reabriu suas grades de ferro e as pessoas puderam sair com cautela. As viaturas ainda estava por ali, tinham policiais armados caminhando entre as garrafas quebradas e as barraquinhas destruídas jogadas pelo chão. Outro motim dos policiais teve início e dessa vez tivemos que nos refugiar dentro do Restaurante Madero e assistir assustados a cenas chocantes pelos vidros das janelas.

Meu sentimento durante os tristes acontecimentos que tiveram lugar no famigerado largo da ordem foi de impotência. Não podíamos fazer nada, e não tínhamos a quem recorrer! Realmente fiquei petrificada de medo da própria polícia, quem reagiu levou tiro, muita gente sangrando, as pessoas só queria fazer eles pararem. Pode parecer ridículo, porém em mais de uma ocasião pensei: "vamos chamar a polícia pra acabar com essa palhaçada e prender esses policiais arruaceiros". Opa.


O que vi foi falta de humanismo, perda de controle da situação e abuso do poder. Parecia que eles estavam entediados e queriam um pouco de ação.

Eu concordo que os participantes do evento não eram exatamente inocentes: muita gente fazendo uso de droga, uso abusivo do álcool, algumas lixeiras quebradas, desacato a autoridade, vendedores ambulantes ilegais, ruído excessivo em rua pública e local residencial após as 22h, etc. Porém a atitude dos policiais foi de extrema violência e desrespeito aos direitos humanos. Foi desnecessária e abusiva.

A ação da polícia deveria acontecer sim, porém não da forma como foi. Os policiais só geram raiva e violência com essa imposição da ordem a força. Pessoas que estavam lá para se divertir acabaram prejudicadas, gente que estava trabalhando saiu sangrando... O evento deve ser feito em parceria e controlado pela polícia, de forma humana e digna, onde os cidadãos se sintam seguros e respeitem as leis.

Sinto dizer que tenho medo da polícia no Brasil, que me sinto totalmente desprotegida e que não acredito que possa contar com os serviços deles para nada. Inclusive os vejo como corruptos, despreparados e não tenho respeito nenhum pelos PMs. O acontecimento de ontem só serviu para reforçar esse sentimento e aumentar minha vontade de fazer alguma coisa. Mas o que?

video

14.12.08

Estar preso à liberdade

Quando você não tem opção, contenta-se com o que lhe coube. E dá um jeito de ser feliz com o que se tem. Sabe que não pode fugir daquilo, e assim se esforça para satisfazer-se.
Quando a vida te oferece um leque de oportunidades, você se perde.
A sociedade exige o tempo todo que você saiba o que quer, vá atrás disso e ainda por cima, seja o melhor. Mas você não sabe o que quer, você não consegue escoher. Tudo lhe atrai ao mesmo tempo que lhe repele.
Parece que você não vai conseguir fazer nada da vida, vai ser um zé ninguém. E isso é o que dá mais medo. Não ser lembrado, não ter feito diferença no mundo, não ser um exemplo a ser seguido. Claro que você tem que ser motivo de orgulho para alguém.
E aí você vive agoniado, ansioso. Tudo o que faz parece uma perda de tempo, porque você não tem objetivos. Você não sabe onde quer chegar. E a vida continua passando, e você tem que fazer alguma coisa. Nunca, jamais ficar parado, pensando. Não há tempo para isso.
É necessário trabalhar, produzir, ganhar dinheiro. Será que não tem uma profissão: ser feliz? Só isso.
E quando você perecebe, está com 47 anos, trabalhando em um banco, em um concurso que você fez "só pra tentar". Agora trabalha lá há 23 anos, e está contando os dias para se aposentar. Quando você se aposentar, aí sim: "vou começar a disfrutar a vida, colher os frutos que plantei. Meus filhos já estão encaminhados, não tenho mais nenhuma pendência". AGORA você vai começar a viver?
Morro de medo de me deixar levar à essa situação. Isso é tudo o que eu não quero. Isso é tudo o que eu não vou fazer.
Não sei o que eu VOU fazer. Mas saber o que não quero é um começo. Um começo pra começar a viver. AGORA.

15.9.08

rapidinhas

Segunda é agora, na Quinta-feira

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Chaves são portas

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Tudo no universo pode ser comparado com um pote. Aliás, o Universo é um grande pote.

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id:
age
eita!

4.9.08

enclausurada na liberdade

O viu chegar. Correu ao seu encontro, mas bateu o rosto no vidro. Aquilo doía. Parece que não ia aprender nunca a verificar se a janela estava realmente aberta. Àquela hora ele sempre deixava a janela fechada. Apesar do ruído provocado pela colisão, ele pareceu não ter reparado nela, do outro lado do vidro, agora pousada no peitoril da janela.

Sempre chegava por essa hora. Faz mas ou menos um mês que o observava. Não contou o tempo decorrido desde a primeira vez que o viu. Mas se apaixonou de imediato. Foi a primeira vez que alguém a olhou nos olhos, tão profundamente, tão intensamente. Sentiu que ele queria dizer alguma coisa com aquele olhar. Depois daquele dia ele nunca mais a olhara daquela forma.

Não iria desistir tão fácil. Estava apaixonada; e a paixão não a largava, não a deixava fazer outra coisa que não pensar nele. Tinha um objetivo claro. Sabia que era livre, que poderia ir para onde quisesse, a qualquer momento. Mas não queria. O que sentia era muito forte; a aprisionava de toda a liberdade que tinha disponível.

Naquele dia, nada especial, ele chegou. Porém não chegou como todos os dias chegava. Trouxe alguém. Sabia o que iria acontecer. Isso sempre acontecia. Porque ele não abria a janela? Porque ele a cativara e agora não abria a janela? Cansou de ter tanta liberdade, de poder estar em qualquer lugar que desejasse, e não poder atravesar uma janela. Trocaria tudo isso para estar com ele. Para receber carinho e atenção.

Era pedir muito? Será que algum dia encontraria? O olhou pela última vez, sorrindo para aquela mulher. Pulou do parapeito. E para muito, muito longe voou.

1.7.08

Fernando:

Seguinte, Cuba não é uma chacina não, que nem você falou... Com
certeza morre muito menos gente lá por atentar contra o governo do que
no Brasil de fome. Você sabe o que é morrer de fomee Fernando? Nem eu,
e espero que nunca estejamos nem perto de saber... Lá, todo mundo tem
casa, todo mundo tem saúde (os dentes das pessoas são lindos,
perfeitos), todo mundo tem educacão BOA (e não essas alfabetizações de
adultos que você aprende a desenhar teu nome, as pessoas tem faculdade
pública lá, boa), todo mundo tem emprego, todo mundo tem segurança
(sabe o que é NÃO EXISTIREM ASSALTOSS... não existe isso,
simplesmente) e todo mundo tem comidaa... Vocês não sabem o que é
isso... ou melhor, vocês sabem, mas 80% das pessoas no Brasil não
sabem!
Claro Fernando, é muito fácil adorar o capitalismo, você tá bem. Pra
mim isso é egoísmo puro. Capitalismo é um sistema de egoístas. Entendo
que o seu amigo Pedro, disse que nunca viveria em Cuba. É complicado
responder de prontidão que viveria lá, ainda mais depois de ver de
perto tudo: sim, eles são pobres. Mas eles não morrem de fome! De que
adianta eu ter meu rolex, meu ipod e minha mercedes se eu não posso
sair na rua, porque meu "companhiero", que não tem essas coisas, vai
me roubar. É claro, é a vitrine do capitalismo. Ele vê tudo aquilo,
ele quer ter, não tiro a razão dele. É difícil não ser hipnotizado
pelo brilho, pela tecnologia, pelas mulheres lindas em propaganda de
shampoo que o capitalismo oferece. Eu uso shampoo também! Atire a
primeira pedra quem nunca teve um nike. É fato, é cômodo estar no
capitalismo, para nós. Mas se as pessoas não conhecessem o consumismo
Fernando, se esse veneno nunca tivesse se espalhado, ninguém ia
reclamar de comer frango com arroz, dado pelo governo todo dia, e usar
uma roupa só com o intuito de se proteger do frio (e esconder as
partes íntimas) e não querendo estar mais bonito que os outros, ter
uma roupa mais descolada. E se o mundo todo fosse desse jeito, as
pessoas poderiam viajar livremente, porque não iam ficar tentadas
vendo todo o glamour das outras comunidades. O capitalismo foi tão bem
maquinado, que consegue convencer a todos. Porque vende o que você
quiser: sua beleza, sua saúde, sua inteligência, seu status. As
pessoas não são o que são no capitalismo, são o que podem comprar!