A véspera do ano novo traz sempre um certo grau de ansiedade. Naqueles dias e/ou semanas que antecedem a troca de calendário, é um momento que geralmente se usa pra rever tudo o que foi realizado naquele ano, e muita gente (eu inclusa) só realiza essa tarefa nesse período, mesmo sem ter pensando sobre isso nos demais trezentos e tralálá dias anteriores - de repente torna-se algo muito importante. Além de dar check (como nossos vizinhos de cima gostam de falar) no que havia sido previsto por você mesma (seu próprio algoz) para aquele ano, também cria-se, nesse mesmo espaço-tempo, um motivo de ansiedade a prazo, com vencimento para daqui a 12 meses: a lista de metas para o ano vindouro.
Nessas idas e vindas de concluir o que foi realizado (aquela experiência de uma hora e meia contou como "voltar a escalar"?), constatar o que não foi efetuado e, claro, já jogar estes últimos itens para a lista do ano que ainda nem começou, o corpo entra nesse processo que gosto de chamar tecnicamente de piripaque (há ainda quem use a terminologia xilique (no dicionário é com "ch", mas no popular se usa o "xis", e eu particularmente prefiro o popular)). Nessa hora, minha amiga, a palma da mão começar a suar, a pálpebra treme e a gente fica inteira suando frio por dias.
Penso nesse período como um inferno astral generalizado. Além das listinhas já citadas, o povo entra na mesma paranoia de agendar festividades com todos os grupos de pessoas que se relaciona - sendo que algumas a gente não viu durante todo o ano, mas faz todo sentido, claro, deixar pra se encontrar com uma galera ao mesmo tempo, vai dar boa, tem que marcar! Com sorte desviamos do famigerado amigo secreto, mas é quase impossível se esquivar dos comentário sobre a uva passa ou da piadinha do pavê (me recuso a replicá-lo aqui).
Como se tudo isso já não fosse estresse o suficiente, temos ainda a criançada em férias escolares, a pressão social para comprar presentes pra familiares e amigos (essa parte não faz nenhum sentido! - como se as demais partes fizesse né), e os preços de tudo ficam inflacionados, menos na Black Friday (tô muito gringa hoje, né?), que aí as coisas estão pela metade do dobro dos valores praticados no restante do ano. Quem consegue ficar ileso às pressões, expectativas e estresses que esse período contém, acaba pegando por osmose de alguém próximo. É um surto coletivo.
Feliz ano novo!
- Texto escrito em 16 de agosto de 2026, afinal o calendário é só uma convenção social.
ps: Aproveitar que estamos no início do segundo semestre pra marcar rolêzinhos com os grupos e conferir as metas do ano hein pessoal, não vamos deixar tudo pra dezembro!
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