A filosofia mecanicista explica tudo de forma racional. Ela faz uma alusão do homem com a máquina. Compara, através de uma metáfora, o mundo com um relógio, funcionando mecanicamente. Os principais expoentes dessa filosofia foram Galileu e Descartes. Galileu juntou o experimentalismo de Bacon com o racionalismo de Descartes, explicando fatos por essa lógica.
Os acontecimentos ocorridos durante a vida de uma pessoa são explicados pelo mecanicismo como uma necessidade humana. A necessidade é o que aproxima o homem do animal, que os fazem semelhantes. Trabalho, esporte, lazer, educação, sexo, industria cultural, ciência, tecnologia, arte, evolução, progresso, família e amor são temas que podem ser explicados racionalmente, pelas vontades que o homem tem em dados momentos. Já o nascimento, morte e sentido da vida tem significados mais amplo. São conseqüências de atos exercidos pelas necessidades. A filosofia mecanicista vê as coisas como uma máquina, matéria em movimento. E a vida segue um rumo normal, com acontecimentos racionais que seguem um padrão racional de comportamento humano.
Os homens do Admirável montaram uma sociedade que julgavam perfeita. Eles fizeram das necessidades suas prioridades, dividindo-as para diferentes grupos de pessoas. Nessa sociedade não podia existir guerras, porém também não se sabia o que era o amor. Tudo era racional e automático, privando o ser de escolhas e recompensas. Cada homem dos diferentes grupos exercia sua tarefa mecanicamente.
Os habitantes do Admirável não podiam, no entanto, ter sentimentos ou opinião sobre nada. A morte era tratada friamente, e não era permitido engravidar. Os dias eram rotinas. A promiscuidade incentivada. O amor era ridicularizado. Eles viviam para fazer o “organismo” funcionar. Não tinham metas nem sonhos. Não existiam famílias também. Os bebês eram feitos em laboratórios de acordo com o que a sociedade estava precisando. Alguém que goste de trabalhar, alguém que queira pesquisar, pessoas bonitas para participar das festas, etc.
Os homens de fora do Admirável eram vistos por estes como selvagens, primitivos, menos inteligentes. John tinha valores muito diferentes aos daqueles do Admirável. Ele se permitia sentir e realizar o que sentia. Ir atrás do que sonhava. Ele não era uma máquina, que apenas funciona sem pensar no que faz, sem gostar do que faz. Ele queria viver a vida intensamente, sentir o mundo e as pessoas ao seu redor. Amar os outros e o mundo em que vivia. Fazer o que tem vontade e não fazer apenas o que é certo ou errado. Fazer escolhas usando o sentimento e não a razão.
Opondo-se ao que o mecanicismo prega, John não é apenas um integrante do sistema ajudando no seu bom funcionamento. Ele não pratica apenas suas necessidades. Ele tem vontades diferentes das essenciais que todos os outros têm. E isso faz dele um ser único. Uma pessoa diferente de todas as outras. Ele não age por instinto. Não trabalha porque precisa e transa com qualquer uma porque tem vontade naquele momento. Faz as coisas por escolha própria.