segunda-feira, 15 de setembro de 2008

rapidinhas

Segunda é agora, na Quinta-feira

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Chaves são portas

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Tudo no universo pode ser comparado com um pote. Aliás, o Universo é um grande pote.

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id:
age
eita!

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

enclausurada na liberdade

O viu chegar. Correu ao seu encontro, mas bateu o rosto no vidro. Aquilo doía. Parece que não ia aprender nunca a verificar se a janela estava realmente aberta. Àquela hora ele sempre deixava a janela fechada. Apesar do ruído provocado pela colisão, ele pareceu não ter reparado nela, do outro lado do vidro, agora pousada no peitoril da janela.

Sempre chegava por essa hora. Faz mas ou menos um mês que o observava. Não contou o tempo decorrido desde a primeira vez que o viu. Mas se apaixonou de imediato. Foi a primeira vez que alguém a olhou nos olhos, tão profundamente, tão intensamente. Sentiu que ele queria dizer alguma coisa com aquele olhar. Depois daquele dia ele nunca mais a olhara daquela forma.

Não iria desistir tão fácil. Estava apaixonada; e a paixão não a largava, não a deixava fazer outra coisa que não pensar nele. Tinha um objetivo claro. Sabia que era livre, que poderia ir para onde quisesse, a qualquer momento. Mas não queria. O que sentia era muito forte; a aprisionava de toda a liberdade que tinha disponível.

Naquele dia, nada especial, ele chegou. Porém não chegou como todos os dias chegava. Trouxe alguém. Sabia o que iria acontecer. Isso sempre acontecia. Porque ele não abria a janela? Porque ele a cativara e agora não abria a janela? Cansou de ter tanta liberdade, de poder estar em qualquer lugar que desejasse, e não poder atravesar uma janela. Trocaria tudo isso para estar com ele. Para receber carinho e atenção.

Era pedir muito? Será que algum dia encontraria? O olhou pela última vez, sorrindo para aquela mulher. Pulou do parapeito. E para muito, muito longe voou.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Fernando:

Seguinte, Cuba não é uma chacina não, que nem você falou... Com
certeza morre muito menos gente lá por atentar contra o governo do que
no Brasil de fome. Você sabe o que é morrer de fomee Fernando? Nem eu,
e espero que nunca estejamos nem perto de saber... Lá, todo mundo tem
casa, todo mundo tem saúde (os dentes das pessoas são lindos,
perfeitos), todo mundo tem educacão BOA (e não essas alfabetizações de
adultos que você aprende a desenhar teu nome, as pessoas tem faculdade
pública lá, boa), todo mundo tem emprego, todo mundo tem segurança
(sabe o que é NÃO EXISTIREM ASSALTOSS... não existe isso,
simplesmente) e todo mundo tem comidaa... Vocês não sabem o que é
isso... ou melhor, vocês sabem, mas 80% das pessoas no Brasil não
sabem!
Claro Fernando, é muito fácil adorar o capitalismo, você tá bem. Pra
mim isso é egoísmo puro. Capitalismo é um sistema de egoístas. Entendo
que o seu amigo Pedro, disse que nunca viveria em Cuba. É complicado
responder de prontidão que viveria lá, ainda mais depois de ver de
perto tudo: sim, eles são pobres. Mas eles não morrem de fome! De que
adianta eu ter meu rolex, meu ipod e minha mercedes se eu não posso
sair na rua, porque meu "companhiero", que não tem essas coisas, vai
me roubar. É claro, é a vitrine do capitalismo. Ele vê tudo aquilo,
ele quer ter, não tiro a razão dele. É difícil não ser hipnotizado
pelo brilho, pela tecnologia, pelas mulheres lindas em propaganda de
shampoo que o capitalismo oferece. Eu uso shampoo também! Atire a
primeira pedra quem nunca teve um nike. É fato, é cômodo estar no
capitalismo, para nós. Mas se as pessoas não conhecessem o consumismo
Fernando, se esse veneno nunca tivesse se espalhado, ninguém ia
reclamar de comer frango com arroz, dado pelo governo todo dia, e usar
uma roupa só com o intuito de se proteger do frio (e esconder as
partes íntimas) e não querendo estar mais bonito que os outros, ter
uma roupa mais descolada. E se o mundo todo fosse desse jeito, as
pessoas poderiam viajar livremente, porque não iam ficar tentadas
vendo todo o glamour das outras comunidades. O capitalismo foi tão bem
maquinado, que consegue convencer a todos. Porque vende o que você
quiser: sua beleza, sua saúde, sua inteligência, seu status. As
pessoas não são o que são no capitalismo, são o que podem comprar!

sábado, 28 de junho de 2008

Atuar

Atuar não é apenas uma profissão. É muito mais do que isso. Atuar é uma escolha de vida. É querer, amar, chorar, dançar, gritar, fazer, girar. Principalmente sentir. Sentir o mundo que o envolve, entender reações, perceber emoções. Estar sempre pronto. Colocar suas emoções expostas. Nunca ter medo de sentir, sentir intensamente, de se mostrar e de viver.

         Como atores, temos que nos envolver com nossos papéis. Temos que ser nosso personagem e fazer com o que o nosso personagem seja nós. Uma coisa só. Temos que sentir, pensar, andar e falar como o personagem. Não deixamos de ser quem somos, mas nos moldamos e entendemos nosso personagem.

         A criatividade entra nessa explosão de sentimentos, ajudando-nos a inovar, a pensar como o personagem, a agir como ele. Devemos estar sempre prontos para criar coisas novas. Não nos fechar com o excesso de técnica, mas sim conseguir, com a técnica, descobrir novos meios de interpretar, novas formas de expressar sensações.

         Para uma mesma interpretação receberemos críticas e elogios. O importante é conseguir perceber nossas falhas, nossos pontos negativos, e filtrar o que nos dizem. E nunca estacionar. Um personagem nunca está pronto, perfeito. Devemos continuar tentando coisas novas, novas formas de expressar o mesmo poersonagem, mesmo que já trabalhamos com ele há anos.

         Atuar é uma escolha para a vida toda. Não tem como deixar isso de lado nem por um segundo. O mundo e as pessoas que nos rodeiam são nosso laboratório de estudos. Nosso corpo é nosso instrumento de trabalho. Através de nossa voz e gestos é que nos comunicamos com nossos "clientes". Só depende de nós fazer com que eles nos entendam, nos amem, nos sigam, nos odeiem ou chorem conosco.

            "A arte revolucionária deve ser uma mágica capaz de enfeitiçar o homem a tal ponto que ele não mais suporte viver nessa realidade absurda" - Glauber Rocha

domingo, 11 de maio de 2008

Cidade Sorriso

O sistema de transporte com ônibus, terminais, canaletas e ligeirinhos é desejado por diversas outras cidade, que visitam Curitiba para levar idéias a seus próprios países. O plano diretor e urbanismo é usado como modelo para outras cidades. O município é chamado de "Capital Cultural" e de "Cidade Sorriso" e é também considerado um dos mais arborizados entre as capitais brasileiras. O IDH e índices econômicos figuram entre os mais altos do Brasil.
No entanto o trânsito está cada vez maior; o movimento passe-livre já existe há três anos na cidade; a população é conhecida como fechada e grossa; o número de favelas cresce assustadoramente; a festival de teatro é um evento cada vez mais interessado nos fins lucrativos e não culturais; o vandalismo e a violência estão tomando conta da paz e sossego da cidade; o teor de poluição no ar é alto....
Qual versão da cidade adotar?

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Meus temas atuais

FAP
Filosofia
TUT
Tropa de Elite
"A república" de Platão - Livro 7
"Bodas de Sangue"
choconhaque
Tim festival
B to W
"O teatro brasileiro moderno" de Décio de Almeida Prado
Cashier no SnowSummit
Mergulho em Bombinhas
Copel
CAEPC
Projeto Rondon
feriado
Artes cênicas
Curso Conexão
Reuni
Cantina do DCE
Fluxo de caixa
visto J1
layouts
Tonho
Mostra de cinema argentino moderno
Yoga
turnê de teatro
vestibular
"Parem o mundo que eu quero descer"
formatura de química ambiental
medições
preencher formulários
trena
trabalho de ETM
chocolate
computador
alugar apê
feirinha hippie
"seis filósofos na sala de aula" - vários autores
promoções do hagah
"jeca tatu" do Mazaroppi
trabalho de processos construtivos 2
UFPR
Fax
Vidraçaria
numerologia
alemão
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segunda-feira, 13 de agosto de 2007

sim à moda

Se for pra se vestir, que seja relevante,
que expresse algum pensamento, sentimento, ou simplismente o estado de espírito momentâneo, ainda que seja complexo;
que demonstre algum desejo, ânsia ou vontade;
que transpareça algo sobre você, seja no acessório ou na peça principal;
ou mesmo que minta,
que traduza a pessoa que você não é e nem quer ser;
que exteriorize erronemente o seu íntimo,
mas que seja relevante -
se não for assim, que sejas nu.

sexta-feira, 15 de junho de 2007

" O Ministro Che Guevara - Testemunho de um Colaborador"

Quinta-feira, dia 14/06, no sindicato dos engenheiros do paraná, houve uma divulgação de lançamento do livro "O Ministro Che Guevara - testemunho de um colaborador" de Tirso W. Saenz, com o autor presente, falando um pouco mais do livro.
Fui.
Cheguei atrasada, não sabia se estava no local certo e quando perguntei me informaram que o Tirso ainda não havia chego, mas estava a caminho. Aguardei.
Tirso W. Saenz é cubano, formado em Engenharia Química, trabalhou muito tempo pra Proctor & Gamble em Cuba e depois virou vice-ministro de indústrias, sendo que o ministro, nessa época, era o Ernesto Che Guevara.
O autor do livro comentou que estava a muito tempo querendo escrever este livro, pensou até no título "O che que eu conheci", mas decediu mudar para dar mais ênfase ao Che em si, demonstrando seu esforço em biografar o famoso guerrilheiro.
Quando lhe propuseram entrar na política cubana e trabalhar com indústrias, Tirso ficou um pouco assustado, pois ele sempre atuou no ramo da química apenas. Decidiu então conversar com o Che Guevara, que seria o chefe para o cargo em questão e descreveu esse primeiro encontro com palavras que eu jamais esquecerei: "seus olhos pareciam dois holofotes, tinham vida, brilhavam, ansiavam". Olhei a foto (aquela uma famosa) do Che Guevara pendurada na parede do auditório e me senti na presença dele, como se ele eativesse ali, em carne e osso.
As pessoas (me inclua na lista) já divinificaram o Che. E é sempre importante lembrar que ele tinha vida, trabalhava, tinha fraquezas, igual a todo mundo. É mais ou menos esse lado "dia-a-dia" do Ernesto que o livro traz.
Um episódio interessantíssimo que Tirso contou foi uma viagem que eles fizeram, saindo de Havana, para visitar uma indústria. O Che estava dirigindo e ele sentando no banco do passageiro. Sempre tinha que ir um carro de escolta atrás, apesar do Ministro não gostar muito. No caminho havia um pedágio pequeno, a tarifa era perto de 10 centavos. Um pouco antes de chegar no pedágio, dois veículos entraram entre a escolta e o carro que eles estavam. Che comentou que os seguranças deveriam estar furiosos, quando percebeu o que acontecia pelo retrovisor. Chegaram no pedágio e, como o Ernesto nunca carregava nenhum dinheiro, Tirso pagou os 10 centavos. Quando eles estavam arrancando, o carro de escolta veio a toda, pelo lado do pedágio, sem pagar a tarifa, para conseguir alcança-los. Che Guevara, vendo o que aconteceu, freiou imediatamente, saiu do veículo e dirigiu-se aos guarda-costas ordenando que eles voltassem e pagassem os 10 centavos. Se toda a população cubana que passava por ali tinha que pagar, eles não seriam exceção. Tinham que dar o exemplo.
O autor conta que Che Guevara sempre foi muito ético, muito disciplinado, muito estudioso, mesmo sendo tão aterefado quanto era, ele sempre arranjava tempo para cumprir seus deveres como ministro. Durante as guerrilhas, em que ele viajava muito para ajudar nas lutas, dividia as indústrias que deveriam ser visitadas pelos vice-ministros, deixava algumas tarefas e partia. Quando voltava, exigia de todos os relatórios das visitas estipuladas. Tirso contou que Che havia acabado de chegar de viagem e foi cobrar os relatórios que tinham prazo para aquele dia mesmo. Um dos vice-ministros não tinha visitado a indústria, disse que tava cheio de trabalho e não havia dado tempo para ir, e alegou que era uma indústria pequena e ele não sabia porque tinham que visitá-la. Diante disso, Che tirou do bolso do seu uniforme surrado (que usava todos os dias e era o mesmo desde sua primeira guerrilha) umas folhas de papel manuscritas e explicou que assim que chegou de viagem, antes de ir trabalhar, ele foi visitar a indústria de lápis, que havia ficado sob sua responsabilidade, e ali estava o relatório da visita. Pediu ainda desculpas por estar escrito à mão, ele realmente não havia tido tempo, mas iria datilografar assim que saísse dali. Apesar de ser uma pequenina indústria de lápis e apesar de estar em meio a uma guerra, Che cumpria com seus deveres e nunca escolhia trabalho. Dividia as indústrias que tinha que ser visitadas igualmente, por sorteio, entre todos que trabalham ali, incluindo ele mesmo.
Outra história presente no livro demonstra a humildade de Che Guevara. Já eram 4h da tarde e, devido a reuniões e tarefas que eles tinham que fazer, Ernesto e Tirso ainda não haviam almoçado e somente então conseguiram ir a um pequeno refeitório para comer. Quando chegou o prato, Tirso sorriu, era um bife enorme, ele nunca havia visto algo tão grade e suculento. Naquela época (anos 50) em Cuba não havia aquilo, a carne era escassa e era preciso economizar. Tirso olhou o prato de Che e verificou que continha exatamente a mesma coisa que o dele. Che ficou encomodado com o que viu, fez um sinal para que tirso não comesse e pediu para que levassem aquela montoeira de carne dali e trouxessem uma comida condizente com a realidade cubana. Tirso ficou desolado, estava com muita fome, mas percbeu a grandiosidade daquele ato. Notou ainda que Che não havia feito aquilo para mostrar ao povo, porque só havia um segurança, o garçom e Tirso ali no restaurante.
Che Guevara participava do racionamento de comida. Em sua casa nunca houve mais alimentos do que aqueles previstos pelo governo para toda a população cubana. Ele poderia ter mais, tinha como conseguir, mas sempre seguiu o programa. Queria viver exatamente como todos em Cuba.
Infelizmente não pude ficar até o final do debate porque tinham que terminar um trabalho de Ciências do Ambiente! Antes de ir embora tirei uma foto de Tirso, já que não tinha 35 reais para comprar seu livro e pedir para ele assinar. Queria uma recordação daquele homem de 76 anos que me cativou em apenas 10 segundos de discurso. Ele fala um portunhol com um forte sotaque cubano. Foi casado com uma mineira (já falecida). A maneira com que conta as histórias prende a atenção de todos. No início do debate, ele contou que estudou a vida toda em colégio católico, apesar de nunca ser um religioso atuante, mas desde pequeno via os comunistas como monstros com grandes dentes saindo para fora da boa que comiam criancinhas. Sempre levou essa imagem com ele, pois era assim que era ensinado no catolicismo naquela época (hoje não é muito diferente disso). Até que ele começou a se envolver com a política cubana e logo depois virou vice-ministro. E até hoje disse não ter encontrado ninguém com dentes gigantes.