sexta-feira, 15 de junho de 2007

" O Ministro Che Guevara - Testemunho de um Colaborador"

Quinta-feira, dia 14/06, no sindicato dos engenheiros do paraná, houve uma divulgação de lançamento do livro "O Ministro Che Guevara - testemunho de um colaborador" de Tirso W. Saenz, com o autor presente, falando um pouco mais do livro.
Fui.
Cheguei atrasada, não sabia se estava no local certo e quando perguntei me informaram que o Tirso ainda não havia chego, mas estava a caminho. Aguardei.
Tirso W. Saenz é cubano, formado em Engenharia Química, trabalhou muito tempo pra Proctor & Gamble em Cuba e depois virou vice-ministro de indústrias, sendo que o ministro, nessa época, era o Ernesto Che Guevara.
O autor do livro comentou que estava a muito tempo querendo escrever este livro, pensou até no título "O che que eu conheci", mas decediu mudar para dar mais ênfase ao Che em si, demonstrando seu esforço em biografar o famoso guerrilheiro.
Quando lhe propuseram entrar na política cubana e trabalhar com indústrias, Tirso ficou um pouco assustado, pois ele sempre atuou no ramo da química apenas. Decidiu então conversar com o Che Guevara, que seria o chefe para o cargo em questão e descreveu esse primeiro encontro com palavras que eu jamais esquecerei: "seus olhos pareciam dois holofotes, tinham vida, brilhavam, ansiavam". Olhei a foto (aquela uma famosa) do Che Guevara pendurada na parede do auditório e me senti na presença dele, como se ele eativesse ali, em carne e osso.
As pessoas (me inclua na lista) já divinificaram o Che. E é sempre importante lembrar que ele tinha vida, trabalhava, tinha fraquezas, igual a todo mundo. É mais ou menos esse lado "dia-a-dia" do Ernesto que o livro traz.
Um episódio interessantíssimo que Tirso contou foi uma viagem que eles fizeram, saindo de Havana, para visitar uma indústria. O Che estava dirigindo e ele sentando no banco do passageiro. Sempre tinha que ir um carro de escolta atrás, apesar do Ministro não gostar muito. No caminho havia um pedágio pequeno, a tarifa era perto de 10 centavos. Um pouco antes de chegar no pedágio, dois veículos entraram entre a escolta e o carro que eles estavam. Che comentou que os seguranças deveriam estar furiosos, quando percebeu o que acontecia pelo retrovisor. Chegaram no pedágio e, como o Ernesto nunca carregava nenhum dinheiro, Tirso pagou os 10 centavos. Quando eles estavam arrancando, o carro de escolta veio a toda, pelo lado do pedágio, sem pagar a tarifa, para conseguir alcança-los. Che Guevara, vendo o que aconteceu, freiou imediatamente, saiu do veículo e dirigiu-se aos guarda-costas ordenando que eles voltassem e pagassem os 10 centavos. Se toda a população cubana que passava por ali tinha que pagar, eles não seriam exceção. Tinham que dar o exemplo.
O autor conta que Che Guevara sempre foi muito ético, muito disciplinado, muito estudioso, mesmo sendo tão aterefado quanto era, ele sempre arranjava tempo para cumprir seus deveres como ministro. Durante as guerrilhas, em que ele viajava muito para ajudar nas lutas, dividia as indústrias que deveriam ser visitadas pelos vice-ministros, deixava algumas tarefas e partia. Quando voltava, exigia de todos os relatórios das visitas estipuladas. Tirso contou que Che havia acabado de chegar de viagem e foi cobrar os relatórios que tinham prazo para aquele dia mesmo. Um dos vice-ministros não tinha visitado a indústria, disse que tava cheio de trabalho e não havia dado tempo para ir, e alegou que era uma indústria pequena e ele não sabia porque tinham que visitá-la. Diante disso, Che tirou do bolso do seu uniforme surrado (que usava todos os dias e era o mesmo desde sua primeira guerrilha) umas folhas de papel manuscritas e explicou que assim que chegou de viagem, antes de ir trabalhar, ele foi visitar a indústria de lápis, que havia ficado sob sua responsabilidade, e ali estava o relatório da visita. Pediu ainda desculpas por estar escrito à mão, ele realmente não havia tido tempo, mas iria datilografar assim que saísse dali. Apesar de ser uma pequenina indústria de lápis e apesar de estar em meio a uma guerra, Che cumpria com seus deveres e nunca escolhia trabalho. Dividia as indústrias que tinha que ser visitadas igualmente, por sorteio, entre todos que trabalham ali, incluindo ele mesmo.
Outra história presente no livro demonstra a humildade de Che Guevara. Já eram 4h da tarde e, devido a reuniões e tarefas que eles tinham que fazer, Ernesto e Tirso ainda não haviam almoçado e somente então conseguiram ir a um pequeno refeitório para comer. Quando chegou o prato, Tirso sorriu, era um bife enorme, ele nunca havia visto algo tão grade e suculento. Naquela época (anos 50) em Cuba não havia aquilo, a carne era escassa e era preciso economizar. Tirso olhou o prato de Che e verificou que continha exatamente a mesma coisa que o dele. Che ficou encomodado com o que viu, fez um sinal para que tirso não comesse e pediu para que levassem aquela montoeira de carne dali e trouxessem uma comida condizente com a realidade cubana. Tirso ficou desolado, estava com muita fome, mas percbeu a grandiosidade daquele ato. Notou ainda que Che não havia feito aquilo para mostrar ao povo, porque só havia um segurança, o garçom e Tirso ali no restaurante.
Che Guevara participava do racionamento de comida. Em sua casa nunca houve mais alimentos do que aqueles previstos pelo governo para toda a população cubana. Ele poderia ter mais, tinha como conseguir, mas sempre seguiu o programa. Queria viver exatamente como todos em Cuba.
Infelizmente não pude ficar até o final do debate porque tinham que terminar um trabalho de Ciências do Ambiente! Antes de ir embora tirei uma foto de Tirso, já que não tinha 35 reais para comprar seu livro e pedir para ele assinar. Queria uma recordação daquele homem de 76 anos que me cativou em apenas 10 segundos de discurso. Ele fala um portunhol com um forte sotaque cubano. Foi casado com uma mineira (já falecida). A maneira com que conta as histórias prende a atenção de todos. No início do debate, ele contou que estudou a vida toda em colégio católico, apesar de nunca ser um religioso atuante, mas desde pequeno via os comunistas como monstros com grandes dentes saindo para fora da boa que comiam criancinhas. Sempre levou essa imagem com ele, pois era assim que era ensinado no catolicismo naquela época (hoje não é muito diferente disso). Até que ele começou a se envolver com a política cubana e logo depois virou vice-ministro. E até hoje disse não ter encontrado ninguém com dentes gigantes.

Um comentário:

Anônimo disse...

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